mac & “cheese” de batata-doce e caju

Um molho de “queijo” para massa vegan e saudável e ainda por cima bom? Juro que é possível.

Mac & cheese, massa com queijo, para falar português, foi dos últimos pratos não vegan que fiz e que comi e foi também dos primeiros que procurei veganizar. Mas o meu mac & cheese era sempre no forno, tanto o vegan como o original. Este foi o primeiro que fiz sem ir ao forno e da primeira vez que o fiz, duvidei bastante do resultado final. Depois de cozer os legumes, parece que vamos comer massa com sopa. Mas não não há o que temer: a levedura e os cajus mudam tudo!

O sabor a queijo é dado pela levedura nutricional que, felizmente, já se consegue encontrar com alguma facilidade em Portugal. Durante muito tempo em todas as receitas que tinham levedura nutricional (nutricional yeast), substituía por levedura de cerveja. Pode fazer o mesmo nesta, mas nem o sabor nem as propriedades nutricionais são tão boas. Pode ver aqui uma explicação sobre as duas. A levedura nutricional, de seu nome original Saccharomyces cerevisiae, não é mais do que um fungo, bastante rico em proteínas e aminoácidos essenciais e vitaminas. Por ser muito procurada por quem não consome produtos de origem animal, e muitas vezes enriquecida com a famosa vitamina  B12. Na cozinha vegana é usada muitas vezes para imitar o sabor a queijo em inúmeras receitas. Fica muito bem polvilhada em cima de quase tudo!

Em relação à massa, cada um escolhe a que quer. Eu, neste caso, opto mesmo pela velha (e boa) massa de trigo (branca). Eu sei que há outras mais saudáveis e tal, mas não há massa integral nem de outros cereais que me seja tão “massa”, sobretudo quando se quer que a massa “agarre” bem o molho. Pelo menos, sei que não sou a única! Independentemente do tipo de massa que escolher, prefira formato tipo cotovelo ou macarrão já que são estes os que melhor retêm este tipo de molho.

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1 batata-doce média

1 cebola média

1 dente de alho

2 cenouras médias

2/3 de chávena de cajus

1/3 de chávena de levedura nutricional

1 fio de azeite (opcional – ver passo 3)

2 chávenas de água (mais a necessária para cozer a massa)

1 pitada de sal

1 c. de café de pimenta de caiena

1  c. de chá de mostarda de dijon

1 pitada de curcuma ralada (ou açafrão das índias em pó)

Cebolinho picados para finalizar, q.b. (opcional)

500g de massa tipo cotovelos (ou semelhante), da sua preferência.

 

  1. Comece por colocar os cajus a demolhar (devem demolhar, de preferência meia hora).
  2. Descasque as batatas, a cebola, as cenouras e o alho. Corte em cubos grosseiros.
  3. Num tacho (ou no processador que coze e tritura ;-)) coloque os legumes com um fio de azeite. Deve ao lume e deixe saltear um pouco (bimby, 5 minutos, 100o, vel.1). Este passo é opcional, mas faz diferença no resultado final, em termos de sabor.
  4. Junte 2 chávenas e deixe os legumes cozerem por cerca de 15 minutos (bimby, 5 minutos, 100o, vel.1).
  5. Entretanto coza a massa conforme as instruções do pacote.
  6. Triture tudo com a varinha mágica ou no liquidificar (bimby, 30 segundos, vel. 7)
  7. Junte os cajus (escorridos), a levedura nutricional e os temperos. Volte a triturar até obter uma mistura bem cremosa e homogénea (bimby, 30 segundos vel 8 + 10 segundos vel. 10).
  8. Escorra a massa e misture o molho.
  9. Sirva de imediato salpicado com o cebolinho.

Nota: Esta quantidade de molho dá para cerca de 500g de massa, servindo cerca de 6 pessoas. No entanto, pode ser perfeitamente congelado em doses individuas (ou na quantidade que preferir) e na hora de comer é só descongelar e aquecer o molho e cozer a massaimg_1173

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 Almôndegas de tofu e frutos secos com molho de tomate

Embora eu própria nunca tivesse feito, a ideia que sempre tive de almôndegas era a das cozinhadas em molho de tomate e comidas com esparguete ou puré de batata… Mas desde que me dediquei às almôndegas vegan, tenho-as feito sempre na frigideira, sem molho. Às vezes sirvo com um molho à parte, mas nunca cozinhadas dentro do molho.

Há uns tempos quis fazer umas almondegas simples com poucos ingredientes e super rápidas e lembrei-me de as cozer em molho de tomate, para ficarem mais gulosas… A primeira vez que as fiz ainda as passei pela frigideira para “selar” porque tive medo que se desfizessem no tacho. Mas já voltei a fazer sem esse passo e ficaram igualmente bem. Só têm de ser manuseadas com alguma delicadeza porque não levam nada para dar liga.

O molho de tomate que fiz também foi o da preguiça (e muito bom) mas podem fazer um mais rico (a minha mãe fazia o molho para as almôndegas com cebola e cenoura, além do tomate).

  • 250g de tofu
  • 3/4 de chávena de frutos secos (usei nozes, cajus, avelãs e amendoins)
  • 1 ramo de salsa
  • 1 dente de alho
  • 1 pitada de sal
  • 1 fio de azeite

para o molho de tomate:

  • 1 dente de alho
  • 1 mão de folhas de manjericão
  • 500g (ou mais) de tomate triturado, (usei congelado)
  • 1 pitada de sal
  • 1 fio de azeite

 

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  1. Pique a salsa e o dente de alho e triture os frutos secos num processador ou picadora, de modo a ficar uma espécie de areia grossa (bimby, junte tudo e triture 6′, vel6).
  2. Junte o tofu, o fio de azeite e triture novamente até fazer uma pasta (bimby, 10′, vel4).
  3. Deixe repousar enquanto começa a preparar o molho de tomate.
  4. Depois molde pequenas bolinhas com as mãos.
  5. leve a dourar numa frigideira em lume brando, com um fio de azeite (passo opcional).

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molho de tomate:

  1. Num tacho largo, leve a aquecer o dente de alho esmagado e as folhas de mangericão (reserve algumas para colocar no final), num bom fio de azeite.
  2. Quando o azeite estiver quente e as folhas de mangericão estiverem murchas, junte o tomate triturado.
  3. Quando o tomate estiver quente, junte as almôndegas e deixe cozinhar em lume brando, durante cerca de 15 minutos.

Sugestão: sirva as almôndegas e o molho com puré de batata ou esparguete e salpique com folhas de magericão picadas.

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Tarteletes de framboesa

Vou já avisando não é uma sobremesa light! Mas… é muito saudável! Já aqui falei sobre os benefícios dos frutos secos, ricos em gordura monoinsaturada, vitaminas, minerais e proteínas. Estas tarteletes, embora lhes tenha chamado de framboesa, são feitas sobretudo de frutos secos, tanto na base como no recheio. Não têm açúcar adicionado, só o naturalmente presente nas frutas e na geleia de milho.

A minha ideia inicial era fazer um cheesecake mas como as quantidades que resultaram, tanto da base como do recheio, não eram suficientes para a minha forma, acabei por fazer estas tarteletes que os meus provadores oficiais adoraram!
A base é uma adaptação de uma receita que aprendi num workshop da Cozinha Verde. Alterei algumas coisas, mas a ideia é a mesma e é mesmo muito boa! O recheio não é muito doce porque a base já é docinha que chegue mas, quem for mais guloso, pode sempre acrescentar mais uma colher de geleia ou outro adoçante que prefira. Finalmente em relação às framboesas, eu adoro e como este ano tenho apanhado uma boa quantidade todos os dias, tinha de as aproveitar – não consigo perceber o preço absurdo a que são vendidas nos supermercados, porque as framboeseiras crescem e dão muitos frutos sem manutenção nenhuma, o único inconveniente é mesmo o serem tão frágeis ! As framboesas são umas bagas maravilhosas! São super saborosas e um poderoso antioxidante que ajuda a proteger as células. Além disso são ricas em vitamina C, por exemplo, que ajuda a absorção de ferro e por isso são também bons aliados dos vegetarianos. E apesar do seu sabor doce, são pouco calóricas (não que eu conte calorias, mas é bom saber ;-)! Se não tiver framboesas, use outro fruto vermelho de textura mole, como amoras ou groselhas ou morangos.

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Para 5 tarteletes:

Para a base:

  • 1 chávena de frutos secos (usei avelãs e amêndoas)
  • 10 tâmaras, descaroçadas e demolhadas cerca de meia hora.
  • 1/4 de chávena de coco ralado
  • 1/4 de chávena de passas
  • 1 colher de chá de óleo de coco

Para o recheio:

  • 1 chávena de cajus, demolhados duas horas
  • 1 colher de sopa de geleia de milho (ou outro adoçante)
  • 1/2 chávena de framboesas

Para topping:

  • framboesas (as que tiver disponíveis)

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  1. Num processador, junte as tâmaras partidas em pedaços e os frutos secos. Triture até ficarem desfeitos.
  2. Junte os restantes ingredientes e triture de novo até que fiquem bem ligados, mas de modo que não fique uma pasta demasiado homogénea
  3. Forre formas de tarte com papel vegetal (opcional, mas torna-se mais fácil desenforma-las)
  4. Coloque uma porção de massa e pressione com os dedos, de maneira a forrar toda a forma.
  5. Leve ao frigorífico e deixe repousar enquanto prepara o recheio.
  6. No processador coloque os cajus bem escorridos e a geleia de milho. Triture até formar um creme.
  7. Junte as framboesas e triture novamente até ficar homogéneo (a meio, misture com uma espátula).
  8. recheie, com a ajuda de uma colher, as tarteletes.
  9. Decore com as restantes framboesas e leve ao frigorífico pelo menos uma hora antes de servir.

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Manteiga de avelãs

As avelãs são uma das coisas boas que traz o fim do Verão – há que ver o lado bom de todas as coisas! As oleaginosas, como as avelãs, são preciosas na dieta vegan, já que são ricas em proteínas, ferro e boas gorduras. De todos os frutos secos, as avelãs são as minhas preferidas e ainda bem, porque são também as que mais abundam por aqui! Desde que descobri esta receitinha, apanhar avelãs ganhou ainda mais sentido e tornou-se quase numa missão!

Esta pasta pode ser feita com qualquer oleaginosa (nozes, amêndoas…) uma vez que o princípio é sempre o mesmo: ao serem moídas, os óleos vão-se soltando, ganhando uma consistência semelhante à da margarina. Além de ser uma forma muito saborosa de consumir mais frutos secos, é também uma alternativa, infinitamente mais saudável, às manteigas e margarinas comuns e mesmo às compotas e geleias para barrar o pão.

Confesso que a primeira vez que tentei fazer manteiga de avelã, no meu antigo robot, não consegui fazer com que passasse da fase de areia… Não sei bem porquê já que, ao que parece, não é preciso ter um processador xpto… Entretanto uma amiga fez-me a pasta na Yammi. Não sei bem quanto tempo demorou, mas ficou perfeita. Agora faço na Bimby e é num instante. Aliás, se quiser só moer as avelãs para ficar em areia, deve ter cuidado porque rapidamente começam a soltar o óleo nestas máquinas.

A parte mais chata do processo é mesmo britar as avelãs… Felizmente tenho quem o faça por mim, durante os jogos do Benfica!

  • 200g de avelãs sem casca
  • Uma pitada de sal marinho

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  1. Coloque as avelãs espalhadas num tabuleiro e leve ao forno pré-aquecido a 170º, cerca de 20 minutos
  2. Transfira as avelãs para um pano de cozinha limpo.
  3. Dobre o pano e esfregue as avelãs durante cerca de um a dois minutos para soltar as peles. A grande maioria das peles deve sair assim. As mais teimosas podem ser raspadas com a ajuda de uma colherzinha de café.
  4. Transfira as avelãs peladas para o processador
  5. Moa as avelãs até ficarem com a consistência de uma pasta meio líquida. O tempo pode variar dependendo do processador que usar (Bimby: 2 minutos vel. 4 e progressivamente até 7 + 10 segundos vel. 10). Vá parando para empurrar o que se vai colando nas paredes do copo.
  6. Transfira para um frasco esterilizado e guarde no frigorífico

Nota: Para esterilizar os frascos, ferva-os em água durante cerca de 15 minutos.IMG_1865